o que não se diz, mas creio que esteja lá.

há quem tanto almeje
se completar em coisas e pessoas,
mas não seriam essas coisas e pessoas
coisas e pessoas a também se completar?

a minha solidão já está conformada
e meu arbítrio vago não passa de um mero pressentimento.
já tenho fomes e vontades e medos.
já sou, mas não sinto completo.

vejo como as pessoas e creio que creio como creem.
danço, apresento-me, faço festa e cortesia.
sorrio como só.
mas só,
o infinito que me ocorre vai além e eu sou pequeno.
não contente, imagino e satisfaço-me.

a promessa do futuro, o amanhã, o ontem, a hora inexistente,
as convenções, o horário certo.
o vazio chega a cortar-me
e se me descubro vítima, parece que padeço.
tenho medo, vergonha e orgulho suficientes para um homem.
mas sinto que preciso de constante afirmação.
se permaneço, sufoco.
se me descubro, humilho.

sempre serei o que sou e o que fui.
e essa é a maior conformação.

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