líquido.

(feito para mim, por m. revoredo) 

Se banha no lago alheio e despe sutilmente o outro de si.
Como quem não quer nada, mergulha.
Dá braçadas e, nelas, cartografa silhuetas fluidas.
Assimila o caminho das águas como quem vê o próprio reflexo.
Nele, encontra sereias e serpentes.
Habituado com suas próprias águas, não se assusta com o já conhecido brado do monstro alheio; e encanta.
Canta o cântico mais bonito que conhece; e acalma.
Torna o desconforto provocado no mergulho irrisório.
É, enfim, senhor das águas.
Lidera caminhos.
Povoa espaços abismos.
Torna habitável o lugar nenhum.
Encoraja sereias e monstros a serem sua melhor versão.
Despreocupado em atender exigências, parte.
E deixa o lago muito mais bonito pela sua passagem.
Não seria tão belo se ficasse.
Cartografia que nada, alquimia!
As águas não são as mesmas, nem o lago.
Que vive a ricochetear a memória,
mneme cantada pelas sereias em coro,
Gratas pelo eterno afago.

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