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Arquivo mensal: maio 2017

de todas as vezes que já viajei, e muitas foram as vezes, nessa estrada entre pernambuco e paraíba, rasgando o agreste, subindo à borborema, avistando a campina régia e grande mais ao norte da serra da taquara, eu me abestalho como o céu e as formações nebulosas e solares se desenham únicas e majestosas, limpas, úmidas e claras, sendo emolduradas pela circunferência visual desenhada pela caatinga. hoje mesmo, percorrendo a estrada velha, me perguntava sobre a real existência daquela paisagem, de como ela aparecia sóbria e habitual e ao mesmo tempo questionava minha própria existência e minha necessidade de ver-me ali. olho pra cima. com a respiração sôfrega dos últimos dias de chuvas, um cheiro de mofo molhado e pouca fé, o céu pintava-se, à hora do crepúsculo, com tons de rosa-alaranjado nunca antes vistos pelos meus olhos, espelhando nas montanhas que contornam o planalto uma cor de conforto conhecido, dando adeus e boas-vindas mais uma vez.
não me julguem poeta prolixo. esses dias tô nostalgia só.