sobressalto.

os dias de outono são sempre muito pertinentes. mais que isso, as tardes de outono são sempre muito propícias e pertinentes a quem tem os olhos das folhas de angico e os medos das paredes de tijolos vermelhos. estas tardes de outono, como a de hoje. ignorei a fórmula cotidiana de hospital e passei a tarde zanzando pela ufcg, um café, três-quatro-alguns conhecidos amigos. certa fumaça a altura dos olhos. tempo-espera. e a saudade, que já me vem tão apressada nesses dias de outono, a saudade que ainda hei de sentir daqui a dois-três-alguns anos, já sinto e o tempo esperado desperdiçado em não viver tanto tudo isso. e um tanto de desespero sem nexo de partir em breve e uma certa tristeza da chuva que perenemente cai em segredo diante de nossa cara, em cima de nossos pensamentos. e o tempo espaçado já, quase esfumaçado. a sutileza primorosa das coisas que se realizam nestas mesmas tardes de outono, a maneira curiosa que o jardineiro remexe o canteiro, a distinta insignificância das nuances das nuvens vistas através da janela do ônibus, minha risada sem motivo.chico cantando que a saudade dói como um barco, assim tão diretamente pra mim. dói. tudo isso dói e lava os olhos meus também. e me faz reinventar significâncias e necessidades. estas tardes de outono, estes dias, estes outonos todos são como a vida, são como nascer e são como morrer.

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