no que diz respeito às coisas banais e ás coisas importantes, aos homens e às mulheres, no fundo, o que diz respeito às exigências e ao sofrimento humano é que tudo, enfim, é falta. morremos pelo excesso da ausência, não aprendemos a lidar com o incompleto. meio cheio ou meio vazio, o copo sempre é pouco. ser pouco é a aflição que me desata. não importa como vês as estruturas de construção que dão fortaleza ao edifício, há certeza: tudo é ilusão. falo com palavras insuficientes sobre o desespero galopante. pouco e fraco, bate o coração silencioso, assustado, perdido. poucos são os anos de minha incapacidade, sentir-se desgarrado, sentir-se ocupado. sentir-se menos, porque nunca é bastante. nunca somos bastantes. a possibilidade da concórdia me foi negada pela condição humana. meu pecado original é minha limitação suicida. e não há como transpor a barreira do encalço, quem me dera que meus passos fossem apressados pela chuva, ou que meus desafetos fossem a cor de meus cabelos. falo com a voz do profeta que sozinho clamava pela promessa divina, que sozinho guiava-se pelo deserto – somos apenas desertos. se um dia meu assombro concretar realidade, apenas eu o conhecerei, e, nesse dia, haverá grande satisfação de crer no ato falho de minha mente como sendo tátil e, nesse dia, haverá grande sinceridade na minha alma. não há quem entenda, eu sei, isso já me é conformado, e, creia, é esse o motivo maior.

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