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Arquivo mensal: janeiro 2016

deixei de ver-te regressar, e ao menos
eu pude ouvir teus risos-gargalhadas,
cantar teus salmos de estios serenos,
contar tuas palavras apressadas.

já somos cada vez menos pequenos
para entender sobre pontes e estradas.
queria ver-te regressar, e ao menos
poder viver todas tuas chegadas.

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todas as coisas visíveis, invisíveis e até mesmo abstratas, todas essas coisas, ela – e somente ela – tinha a capacidade de vê-las. como reflexo de si mesma, enxergava nos pequenos detalhes, a essência panorâmica de cada ser. como pequenos relapsos, colapsos e deslapsos, ela observava o incomensurável poder de cada coisa ínfima, como sendo a mais bela abstração, o mais formoso fiasco, a mais frondosa coincidência. não podia consigo mesma determinar a medida do poder de cada fresta, cada trisco, cada signo; porém podia sentir a infinita abrangência de ser isto.

tens cuidado, passarinho. quando veres o céu tingir-se de rosado ao sol das seis da tarde, não titubeie. encontra logo um abrigo contra a chuva e a solidão, recolhe os teus e cobre-te de paz, pois a noite tanto é serena como intranquila. mal sabem os impacientes, é preciso dormir sonhos para se ganhar a realidade.