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Arquivo mensal: dezembro 2015

amigo querido, há muito te escrevo porque sei que talvez minhas palavras já soam estranhas para ti. são tempos longos, desde o fim do inverno. confesso que não acreditava muito na certeza de minhas palavras, até que hoje vi o velho ingazeiro onde costumava te ver cantando entre às cinco e às seis, e relembrei de como era jovem no tempo em que cria no futuro. confesso também que envelheci rapidamente. muito. já tenho até cascas velhas que se rompem facilmente de minha mente, creio que estou perdendo muito a esperança e aprendendo a assumir meus erros. estou velho e sei que envelhecer é santo. tu que me ensinaste isso, amigo, entre teus sons e teus piados. éramos jovens e eu abandonei muitas convicções. hoje pago a prenda de minha desconfiança. são tempos longos e quentes, costumava ter melhor humor no verão, admirar mais o azul do céu e a limpidez do horizonte, mas repito, envelheci. não podemos abraçar o mundo com duas mãos humanas, eu sei.

sinto saudades. espero estar jovem quando voltares.

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