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Arquivo mensal: fevereiro 2015

depois de um tempo em jejum, volto a escrever, ainda engasgado e sem propósito maior, com sono de um sábado vazio e incerto de qualquer novidade. já não tem havido tantos ou quaisquer motivos desde o início do período de estiagem e é absurdo como os homens melhor viveriam se parassem para perceber e entrassem de vez no ritmo das coisas da natureza. bastava que olhassem como as formigas escaladoras resistem à atura das árvores de algaroba, há muita técnica nisso. porém, as pessoas são muito rápidas, muito imediatas e cansam por isso. toda canção fora do ritmo cansa. toda imagem imediata da realidade é falsa e autocorrosiva. toda necessidade, por mais que humana, comer, falar, sentir; quando em excesso, cede ao ridículo moral e inconsciente da percepção individual de si mesmo. vejam, tudo é confusão. o pensamento se retorce e se engana e se confunde, por tentar formar abstrações e ilusões de sua própria dimensão. e tudo isso, pra quê? não entendo e temo minha exígua existência por esses atos. mas isso tudo é muito pessoal e bastante indiferente, não há sequer explicação nem tampouco necessidade. ainda assim, os jornais continuam a manifestar suas velhas notícias e previsíveis previsões, o medo é vendido como costume e a futilidade ainda embriaga os mais rasos. admiro a capacidade de não tentar compreender isso tudo, ou de se bastar naquilo que se autopercebe. aqui há falta. e há também o sentimento que tudo há de voltar a ser como sempre, frio e molhado, em pouco tempo: o outono parece estar adiantando-se, esta época em que as cabeças conseguem melhor definir os sentimentos universais.