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Arquivo mensal: dezembro 2014

calmamente confiante, o astronauta pousa seus pés na superfície lunar. não pode mensurar a frieza daquele solo, nem a aspereza real por baixo do traje, mas a dureza da paisagem desértica da lua lhe assombra. dispensando os comandos da nave, escuta o silêncio que brada do universo como coisa exímia diante de seu semblante. mal pode definir sentimento. gira seu corpo em rotação e, atrás de si, depara-se com a esfera azulada do planeta pondo-se no horizonte do pequeno satélite. sente-se só. longinquamente solitário. ao imaginar que todas as coisas, pessoas, imagens, sons, memórias que um dia já animaram sua alma estão presas lá naquele pequeno planeta distante, cai diante de sua própria inexistência em relação a todo o cosmos que o rodeia. fora de sua casa, longe de seu estado natural, observa o bailado em órbita daquele corpo celeste perdido no breu infinito, tão pequeno, tão finito. o astronauta percebe-se minúsculo e chora.