choro de outubro.

sinto falta do cheiro verde do mato quebrando os primeiros dias de junho. na manhã seguinte do derradeiro de maio, o barandão seco já livre da bandeira de nossa senhora, recolhida na noite anterior, escorrendo a mistura de orvalho e sereno da noite fria, a embriaguez do sentido de ser aquilo tudo, o pasto, as árvores e as pessoas, uma mistura quase inumana de sensações coloridas e intrínsecas à paisagem. o carro de boi puxado por um jumentinho manso, carregando dois meninos de idades e expressões diferentes; as mulheres que acordam cedo, trazendo a manhã para as ruas com suas vassouras e conversas; o cheiro do leite que esborra da lata de óleo e cai no pé do leiteiro ambulante; a mesmice dos dias, os fatos pequenos, as sempre-comuns reclamações e o sono curtido. sinto falta das sensações que enchiam meus olhos, assim como o pífano enchia os ouvidos na procissão de são sebastião.sinto falta do medo controlável daquela época, do desespero inocente, da solidão desproporcional. sinto tanta falta que poderia voltar ao que fui, por circunstância de não ser o que sou.

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