quatro mãos abertas.

o momento que envelheci
foi um marco em minha vida.
já não era pequenino
nem podia ver de longe.

as poucas estrelas que trazia
seguradas em meu peito
eram tímidas vontades
de um pequeno sonhador.

não havia pretensões 
nem tampouco poesia,
mas enquanto eu crescia
o mundo se transformava
em pedaços de promessa.

era como se ao me ver
enrolado em meus desejos
fosse homem antes-fosse
fosse o tempo que passava.
era como se sonhava,
o mundo inteiro a meu favor.

o momento que envelheci
fez de mim um homem sério
hoje já não vejo nenhum
pedregulho de esperança
– antes-fosse homem criança –
em tão pouca desvontade.

percebi que tudo isso
era um grande sacrifício
não queria ter vivido
o momento que envelheci.

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