eu já não sei.

tenho olhado o mundo,
interpretado as circunstâncias,
aderido aos projetos que passam além daquilo que sou,
e tudo aquilo que me faz
me faz sentir das coisas
a eterna descoberta do universo.
quem me dera sonhos e vantagens,
não sou eu o herdeiro da inconsciência.
os poucos propósitos que me restam 
me fazem enxergar e ver 
que nada disso é tão real
como a chuva que cai leve e soberana
nos paralelepípedos de minha rua.
queria sim que tudo fosse tão fácil.
queria que tudo fosse tão perfeito como essas individualidades são..
queria convencer-me o erro
e aceitar, no entanto,
os dias de minha indecisão.
sou pequeno perdido
entre tantos desertos e almejos,
sou discreto alarido entre diversos anseios.
singela ave, que habita o receio da dor real,
desperta em meu peito tua inconsistência,
pois sou apenas a margem, 
a abóboda,
o que não consegue e está além.
sou o precipício,
a pedra que solta,
a flor e o imaginário.
sou o medo da correnteza.,
sou a força que se indecide.
sou nada. tampouco nada.
mas talvez, caso caiba a dissolução do que concentro,
seja eu o espaço,
a fúria, o som e o desaconchego.
aquilo que passa devagar,
vai e some
como gota d’água ao sol.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: