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Arquivo mensal: junho 2014

tal sensação só aumenta:
serei eu um déjà-vu 
da década de noventa? 

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o momento que envelheci
foi um marco em minha vida.
já não era pequenino
nem podia ver de longe.

as poucas estrelas que trazia
seguradas em meu peito
eram tímidas vontades
de um pequeno sonhador.

não havia pretensões 
nem tampouco poesia,
mas enquanto eu crescia
o mundo se transformava
em pedaços de promessa.

era como se ao me ver
enrolado em meus desejos
fosse homem antes-fosse
fosse o tempo que passava.
era como se sonhava,
o mundo inteiro a meu favor.

o momento que envelheci
fez de mim um homem sério
hoje já não vejo nenhum
pedregulho de esperança
– antes-fosse homem criança –
em tão pouca desvontade.

percebi que tudo isso
era um grande sacrifício
não queria ter vivido
o momento que envelheci.

tenho olhado o mundo,
interpretado as circunstâncias,
aderido aos projetos que passam além daquilo que sou,
e tudo aquilo que me faz
me faz sentir das coisas
a eterna descoberta do universo.
quem me dera sonhos e vantagens,
não sou eu o herdeiro da inconsciência.
os poucos propósitos que me restam 
me fazem enxergar e ver 
que nada disso é tão real
como a chuva que cai leve e soberana
nos paralelepípedos de minha rua.
queria sim que tudo fosse tão fácil.
queria que tudo fosse tão perfeito como essas individualidades são..
queria convencer-me o erro
e aceitar, no entanto,
os dias de minha indecisão.
sou pequeno perdido
entre tantos desertos e almejos,
sou discreto alarido entre diversos anseios.
singela ave, que habita o receio da dor real,
desperta em meu peito tua inconsistência,
pois sou apenas a margem, 
a abóboda,
o que não consegue e está além.
sou o precipício,
a pedra que solta,
a flor e o imaginário.
sou o medo da correnteza.,
sou a força que se indecide.
sou nada. tampouco nada.
mas talvez, caso caiba a dissolução do que concentro,
seja eu o espaço,
a fúria, o som e o desaconchego.
aquilo que passa devagar,
vai e some
como gota d’água ao sol.