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Arquivo mensal: setembro 2013

eu sinceramente gostaria de me dedicar mais a essas coisas triviais que enchem nossa alma, embora não encham nossa barriga. essas coisas que todos temos vontade, eu tenho, acho que outros também devem ter, mas não fazem, e creio que seja por vergonha ou medo, sei lá, coisas mal vistas até. literatura, arte, um pouco de música estrangeira, desmanchar os meus preconceitos. falar um pouco de filosofia com o cara que passa vendendo frutas na minha rua. encher meus olhos de sol, andar pela rua só e sem motivo, vê. criar uma galinha, sempre tive vontade de criar uma galinha, e em um domingo bem quente, pode até ser um domingo quente de novembro, fazer um bom almoço. assim, deixar de ter a obrigação de falar com quem você não quer falar ou de estar onde não você não se sente, porque sabemos como somos falsos sendo falsos, todos somos. sabe, é tudo tão plástico, tão pouco, tão desperdiçado. aquela cerveja naquele bar depois da faculdade, sem intenção, sem propósito, só por ser e só. basta. as coisas são simples, a natureza as fez simples, simples como a sombra da árvore no meu terraço no fim da tarde. é lindo, o mesmo céu de sempre, é lindo. é simples. o maior e mais perfeito de todos clichês existentes no planeta terra e em outros planetas habitáveis escondidos no universo será que as coisas simples são as mais bonitas. a via-láctea é simples. a respiração é simples. e simplicidade é ser sem intenção. ser natural, a natureza é simples. tenho um medo escalar de cair outras vezes nos meus próprios abismos, mas sei que a simplicidade me entende, e me sustenta, a simplicidade é um terreno plano, uma campina. um verso de caeiro, “o que for, quando for, é que será o que é” ou “basta existir para se ser completo”, sabe? eu lamento pelos que não entendem. as pessoas deveriam usar mais os olhos, os ouvidos, o nariz, as mãos. o mundo é muito grande, não tenha vergonha, medo, precaução, cautela, ou qualquer outro sinônimo existente na nossa língua, de viver. você ficará confuso, franzirá a testa e achará isso uma loucura. e é. sem vergonha, medo, precaução, cautela, ou qualquer outro sinônimo existente na nossa língua, é. e será. é a verdade plena que me ocorre, é tudo.

a ordem semicondutora de tudo se altera.

o pólo sim,
o pólo não.

a desordem dos fatores
dos meios comuns a qualquer homem 
e o produto inalterado.
miscigenado.
metamorfoseado.
desfigurado pelo tempo,
pelos grãos que caem da ampulheta –
maldita transformação,
e maldita atração dos opostos –
bendita transformação.
é ela que nos leva ao delta da vida:
a fase final menos a inicial.
uma fase nova.
trezentas e sessenta e cinco fases novas,
ou uma fase crescente,
ou minguante, 
ou cheia,
ou fase vazia.

não adianta. eu te
amo.
por mais que eu tente.
desculpa. meu orgulho é maior que eu.
mas se há algo, que seja aquilo que eu sinto: é você.

a poesia é aquilo que sentimos.
a verdade é uma porta que não sabemos onde vai nos levar.
o futuro é substrato do nosso desejo.
aquilo que somos é o que nos faz.

leia isso como quem lê poesia.
os maiores poetas falam pela voz de bêbados.
o bêbado/poeta que fala aqui diz tudo.

mas apenas diz que te ama.
o que digo é o que sinto: eu te amo. e não vou desistir.

eu sofro. mas tua presença, teu sorriso.
teus olhos são lindos.
tenho medo de ter minha existência reduzida a tua ausência.
meu coração
não se cansa.
desculpa. enquanto houver-te serei feliz.
mesmo que longe de mim.
eu te amo, verdadeiramente.
isso basta.

as palavras saíam aos montes.
a cachaça era o jeito dele. até a sua respiração, eu não suportava mais.
traços do pai.
primogênita e cuidadora da família.

código.
vou me afastar, vou sair de cena, vou pedir licença.
lapso.
querer matar o filho. lapso: mal de família.
sobrenome – marido – ferro.
 
não aguento falar para os médicos, eles dizem que eu não tenho nada.
aqui eu não sei quem sou. eu não sou daqui.
vim porque me mandaram.
eu não sei mais falar.
eu só sei chorar, eu não sei mais falar.
não aguento mais trabalhar.
minha mãe estava cansada, deitou e morreu.

socorro.
ela nunca gostava de casa.
era uma menina que não gostava de nada.
fala sobre o pai com admiração.
tudo o que quisesse fazer, fazia.
eu não aguentei.
diz ter medo de ficar excedente.
sentia o corpo vibrar, ele parecia cheio.
e ele chora, e ela canta.

fala de uma sobrinha psicóloga que não sabe nem onde fica as ventas.
parecia que não se preocupava com isso,
parecia que queria isso.

pássaros na vidraça.
fala do sangue que escorre das suas pernas
como se escorresse toda com ele.
há um gozo nesse escorro.

não quero ser como um pássaro na vidraça
que bate na janela como se outro estivesse lá dentro.
não quero me espatifar.
quero voar.
me ajude.

tão angustiante é ser peixe de aquário.
– disse o homem-peixe de cabeça de ar.
astronautas, viagens periféricas
mostram a subserviência popular da revolta.
tudo é peixe, feixe e desastres naturais.
a fuga para a terra prometida,
na estrada repetida do lobo frontal.

dentro do espaço semiaberto dos teus olhos azuis
a cor do meu sonho que se manifesta 
em oração.

esperava algo além do meu silêncio –
tudo é clichê, meu jovem poeta.
todas as pessoas sabem, não creem e mentem para si mesmas.

mesmo que o universo ao meu redor
seja apenas palpável à sombra da redoma de vidro,
não ousaria, eu, ultrapassar os limites da minha mente.
não querer pode não ser querer, poder, coisas afins e frias.

esvaziar-se do seu próprio vazio, é ganhar do mundo a plenitude do nada.
e isso basta.

nada mais.

desapegar-se é enfado mais tristonho
quem dera que o meu sonho
ficasse perto de mim. 

felicidade é constante infinita
enquanto a vida é bonita
e eterna antes do fim. 

mas eu te peço pro bem do meu coração
que tua falta mais não 
me deixe tão triste assim. 

pois sem você, eu vou morrendo a cada dia
dentro da melancolia
de viver sem ti, enfim.